domingo, 11 de junho de 2017




No furacão meu dedo se foi
apontando de onde veio
para olhos que não veem
e mentes sem nenhum esteio.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Já não sei




Ela me disse
com aquele ar
de quem está
cheirando imundice

E, cada palavra,
cortava-me fundo,
sangue brotando
e a poça aumentava.

Não economizou
nas ditas linhas
e me fez chorar
além de corar.

A faca tem dois gumes
e, eu não sabia mais
se chorava por mim,
ou por ela.

Só sei que dói
doeu e doerá
toda vez
que me lembrar.

Teu sorriso era tão
verdadeiro e radiante...
Que se desfaz em
alegoria disforme.

Terrível sorriso
esgarçado
filme de terror
em palavras.

Poderia pedir
que parasse,
mas me ofereci
à guilhotina.

Não espero 
mais nada
só quero ir
embora.

De mim
e de ti.
nós fomos,
agora mortos.




sábado, 8 de abril de 2017

Feridas



Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e carrego estas máculas diariamente
de um canto para o outro, pois que
nada nos deixa muito tempo sãos.

Já te disse que ele entra na minha mente
ele deseja que a ferida não seja curada
e vamos, nas feridas, escrever vários
temas de pessoas, muito estranhamente.

Porque de cá, dói o machucado,
mas há alívio em conhecer de fato,
que a loucura existe por dentro
e um tanto assim de um brocado.

Tenho feridas nos pés e nas mãos,
e nenhuma ideia de onde isso vai dar.
Quero apenas continuar com meus irmãos.


quarta-feira, 22 de março de 2017

A casa

O que sinto,
é que a calha
da casa velha
está oxidada
mais por dentro
que por fora.
O que acontece
de fato
é que
tudo está
enferrujado.
Desde a maçaneta
da porta
até a senhora
a se embalar
na cadeira
de balanço.


quarta-feira, 1 de março de 2017



Tenho o mar como parceiro
livre como vento, é romanceiro,
traz cartas jogadas à ele.
Busco a razão na minha pele.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017



Não, eu não escrevo
Eu soluço.
Soluço paisagens,
De onde queria estar
Conhecer,
Amar e voltar.
Gostaria
Que estes soluços
Fossem reais
E desse vida
Às minha palavras.


sábado, 21 de janeiro de 2017

Preso




Hermético
fico assim
fechado em mim
ninguém mais entra
nas minhas palavras...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Fina linha

Linha tênue que separa
o novo do velho,
o vivo do morto,
e o espírito da alma.

Linha grossa encontra um verso
ou o verso encontra uma linha grossa
não importa! O que é importante
Está guardado, aguardando.

E eu me resto aqui sonolento,
quase indo para minha choupana,
onde não entra ninguém,
nem o galo pra acordar o dia.
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